Quem sou eu

Escrever alguma coisa não é simples como parece. Um texto que através de palavras, passe emoções e sentidos, exige sentimentos. Não tem hora ou lugar para se escrever. O segredo da escrita é colocar no papel o que seu coração te diz. Nunca deixe de ouvi-lo, porque quando um coração fala você é capaz de escrever palavras que nunca poderia imaginar. O melhor de escrever é provocar a reação final no leitor. Começar um blog é extremamente monstruoso. Parece um bicho de sete cabeças! Mas, nós duas estamos aqui para desvendar esse desconhecido. Por favor, se alguém quiser ler sobre algo, dê a sugestão. Quem sabe não vira um texto interessante? Deixem comentários nos textos que gostarem e também nos que não gostarem. Não é só de elogios que o homem progride, precisamos de críticas! O blog “Weird and Greasy” nasceu para suas autoras expressarem seus sentimentos e provocarem emoções em seus leitores. Esperamos, sinceramente, que todos gostem e se identifiquem com pelo menos um texto. Aproveitem!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Prisioneira (temporária)

Há momentos na vida que exigem muito de nós. Ficamos tão exaustos que chegamos a ponto de não ouvir o despertador no dia seguinte e acabar por perder a hora todo o dia. Então, surge aquele maravilhoso feriado em que você planeja dormir do começo ao fim. Mas quando você acorda na hora do almoço, fica com aquela sensação de que não fez nada e perdeu um dia da sua vida, porque ainda continua cansado. Portanto, qual é a solução?  A nossa alma é prisioneira do corpo. Somos impedidos quase sempre de agir da forma desejada devido as necessidades dessa carne mortal e desprezível.


Paula Amorim

segunda-feira, 30 de maio de 2011

segunda-feira passada

Aquele dia foi tão especial. Acordei com um frio na barriga e não podia acreditar que finalmente tinha chegado a hora. Tomei banho, vesti uma roupa especial para a ocasião. Sequei o cabelo e passei maquiagem. Deixe meus olhos bem demarcados do jeito que você gosta. Passei perfume e fiz uma oração. Em um instante, eu realizei que você era tudo aquilo que eu mais queria no mundo inteiro. O meu coração batia mais feliz, meus lábios sorriam sozinhos, meus olhos brilhavam cheios de amor. Eu me sentia tão completa, não me continha de tanta alegria. Eu teria a sua presença mais uma vez. Meu Deus, eu sou completamente apaixonada! Mas, quando eu te vi, não segurei a emoção e transbordei como uma represa. A espera foi tão longa. Meu calendário todo riscado, me dizia que aquele era o grande dia do reencontro. Meu relógio parecia parado, os ponteiros não andavam, apenas faziam barulho. Fiquei ali, em pé na calçada, pensando em você, imaginado como estaria lindo, curtindo toda a saudade que eu mataria logo em seguida e esperando você aparecer. Eu esperei e esperei e esperei. Ah, mais que demora! Meu coração gritava, precisava tanto te ver e ouvir cantar para mim. Então, eu te encontrei. Foi maravilhoso. Foi como respirar de novo, foi como ganhar asas e sair voando Brasil a fora. Eu perdi o senso da razão e não sentia mais nada. Apenas existia você ali comigo. Meus olhos ficaram borrados, mas você não se importou. Você parecia tão surreal! Estava mais perfeito do que eu me lembrava. Eu perdi a fala e não conseguia dizer nada do que eu havia planejado, a não ser implorar que você ficasse ali para sempre. Eu te amo tanto e ter você ali fez tão bem para mim. Eu exalava saudades. O tempo que ficamos juntos não foi o suficiente para derreter toda saudade que havia se acumulado dentro de mim. Você disse que me amava e sorriu, e essa foi a última imagem que guardei daquela noite fria, que foi aquecida por nossos corações apertados e aflitos. Eu segui você até o hotel, e me despedi te vendo entrar na garagem subterrânea.

Paula Amorim

quarta-feira, 4 de maio de 2011

e o que restam são saudades...

é tão horrível perceber que o tempo passou e já não é o mesmo. é péssimo ver que a sua vida não é mais a mesma de alguns meses ou anos atrás. tantas pessoas que eram essenciais antes, hoje são apenas fantasmas do passado, que não me deixam nada se não saudades. tantos lugares! quantos sentimentos, olhares e momentos! quantas vezes disse que não iria esquecer e que nunca iríamos nos separar e olha agora onde nós estamos. não te conheço mais direito... o ruim de viver é ter que deixar o tempo passar e a história se reinventar! queria tanto voltar no passado só para poder estar com você novamente, queria poder ter te preservado mais do meu lado, para que hoje ainda tivesse você aqui. queria ter dito mais vezes eu te amo. queria ter aproveitado mais o meu tempo fazendo coisas novas e passando meus dias com pessoas que eu tanto prezo. saudades, isso é a única coisa que resta! quando penso em toda a minha vida, o que me preenche por inteira é saudade. apenas saudades! e o que fazer com ela, se a mesma não é palpável? como livrar-se dela, se ao mesmo tempo que ela está, não está aqui? não há meios de matá-la, porque todas as vezes em que você não estiver aqui e eu me lembrar da nossa antiga vida, a saudade me abraçará e o meu coração cairá no poço da aflição.

Paula Amorim

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Essência

Sabe, estou cansada dessa rotina. Rotina que me consome dia após dia, semana seguida por semana. Não quero mais essa coisa certinha, correta que enquadra e emoldura a minha vida. Já falei que cansei! Quero fazer do previsível, um imprevisível. Preciso seguir um compasso descompassado que me mantenha viva pelo menos por hoje. Quero um desafio! Novas notas musicais agudas e graves, que façam do meu dia uma oscilação inconstante. Quero um céu nublado, domado pelo opacidade das nuvens. Não quero a lucidez por toda inteira. Apenas a sombra do sol. Quero o vento rangendo os galhos cheios de folhas das árvores velhas. Quero a chuva amarela que cobre e esconde a verde relva molhada pela umidade já seca. Desejo a vida como nunca a ansiei antes. Não quero tê-la, mas sim pertencê-la. Preciso do mar, do riso, do sangue, da chama, da alma, da loucura do meu desejo. Necessito viver por alguém e por alguma coisa. Quero viver por impulsos e por consequências não pagas. Quero sentir tudo aquilo que é intocável e imperceptível pelo resto da humanidade. Não quero ter seis sentidos, quero sete ou um milhão deles. Quero enxergar a beleza e a simplicidade até onde a visão não pode chegar. Desejo sentir as agulhas pontudas e profundas, feitas de gelo, perfurando e machucando as minhas veias. Quero a ardência fervendo do calor ascendente que cresce da mais pequena semente. Só quero viver do jeito que escrevo. Não falo e nem penso, apenas faço. As palavras escritas pela ponta do meu grafite simplesmente vão surgindo simultaneamente com o vazio da minha mente. Não escolho o conteúdo dos textos, não sei nem ao menos o que virá na próxima linha. Eu só sei que escrevo. E escrevendo, me acho e me encontro.

Pa Amorim

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Correio especial

  Querida Escrita,
 
  Peço desculpas. Sei que estou sendo injusta com você. Com uma aproximação tão rápida e natural, você se tornou a minha melhor amiga. Passei a compartilhar toda a minha vida: meus medos, meus desejos, meus pensamentos utópicos e bizarros. Obrigada por ter me suportado em momentos tão difíceis e por ter me proporcionado tantas alegrias. Conquistamos tantos admiradores juntas! Você é a base e eu, a porta voz. Se não fosse por você, talvez eu não fosse quem sou hoje. Assim como eu dependo de você, a senhora precisa de mim. Nossa relação é como um casamento. Somos subordinadas! Se não trabalharmos nisso sempre, o amor acaba e a papelada do divórcio chega para ser assinada.
  Por isso, te peço desculpas. Tenha paciência comigo. Sei que não te dou a devida atenção há alguns dias. Tenho certeza que está desesperada, porque eu também sinto esse desespero. Deve estar se sentindo abandonada aos trapos e farrapos, por favor, não sinta! Eu ainda penso em você todos os dias. Sinto sua falta, não sei como viver sem a sua presença. Então, me espere, pois algum dia eu voltarei para casa. Parece tolice te escrever, grande dona das palavras, mas eu sei que você lerá esta carta e me responderá do mesmo jeito que eu te escrevi. Como no nosso primeiro encontro!
 
  Me espere na próxima curva da vida,

  Paula Amorim, para sempre sua amante.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Crise de identidade

Para vivermos bem é necessário que saibamos nos relacionar com as pessoas que nos cercam, o que nem sempre é fácil. A convivência social pode ser muito importante para a construção do nosso caráter, entretanto, numa relação desarmônica, ela pode acabar deturpando nosso senso crítico.
“Não se pode ser feliz sozinho”- disse o poeta, e disse com razão; a interação desperta em nós os sentimentos e nos ensina a essência do amor, da vida e de nós mesmos. Acabamos nos espelhando nas pessoas que admiramos e a partir daí criamos a nossa própria identidade e damos sentido à nossa existência.
Já na Teoria do Bom Selvagem, Rosseau afirmava que a sociedade corrompe o indivíduo (que por si só nasce bom). Significa que a vida em sociedade também desperta em nós valores negativos. Nos submetemos aos que ditam verdades incontestáveis e perdemos nossa própria opinião. A “Idade das Trevas” e os governos totalitários são exemplos de que a alienação é o mal da convivência.
O segredo de conviver é saber aproveitar do próximo o que ele nos oferece de melhor sem deixar que as ideias alheias nos usurpem e nos causem uma crise de identidade. Isso exige tolerância, respeito, paciência e muito jogo de cintura, mas é um bom caminho para ganhar conhecimento e atingir uma vida plena.


Maria Eduarda Amorim, pagando de escritora :3

quinta-feira, 3 de março de 2011

Obsoleta

Ela nunca entendeu o porquê se envolveu em tudo aquilo. Ela nunca soube o que sentia por dentro. Ela não tinha noção como soava a sua voz ou de como era macio o seu toque. Ela nunca descobriu o porquê deixou-se levar pelos encantos sem mágica. Ela nunca compreendeu o que tanto havia dentro de seus olhos. Ela nunca achou qual era o feitiço que a prendia ali. Ela nunca entendeu o seu coração acelerado. Ela nunca soube o porquê de um amor tão amado. Ela não sabia por qual motivo não podia sair dali. Ela nunca entendeu nada. Apenas sentia sem compreender.
Mas, agora que o frio a envolvia e a solidão a preenchia completamente, a deixando inteiramente vazia, ela sabia. No momento presente, em que ela se via constantemente doente, com lágrimas escorrendo de seus olhos descontentes, com uma agonia persistente, que denunciava a ausência de seu coração pulsante, ela sabia.Agora ela entendia o que a sua voz secreta tanto dizia, gritava, berrava. Sua cabeça latejava, até doía. Ela sabia. Agora tudo fazia o mais perfeito sentido, como se a última peça de um grande quebra-cabeça fosse posta no todo. Ela sabia. Isso era tão forte. Como nunca havia notado tal importância. Seu corpo estava ativo, mas sua alma, obsoleta. Era amor. Sim, disso ela ganhou consciência. Por que? Porque após a longa distância, ela sabia que ele a mantinha viva!

Paula Amorim