Quem sou eu

Escrever alguma coisa não é simples como parece. Um texto que através de palavras, passe emoções e sentidos, exige sentimentos. Não tem hora ou lugar para se escrever. O segredo da escrita é colocar no papel o que seu coração te diz. Nunca deixe de ouvi-lo, porque quando um coração fala você é capaz de escrever palavras que nunca poderia imaginar. O melhor de escrever é provocar a reação final no leitor. Começar um blog é extremamente monstruoso. Parece um bicho de sete cabeças! Mas, nós duas estamos aqui para desvendar esse desconhecido. Por favor, se alguém quiser ler sobre algo, dê a sugestão. Quem sabe não vira um texto interessante? Deixem comentários nos textos que gostarem e também nos que não gostarem. Não é só de elogios que o homem progride, precisamos de críticas! O blog “Weird and Greasy” nasceu para suas autoras expressarem seus sentimentos e provocarem emoções em seus leitores. Esperamos, sinceramente, que todos gostem e se identifiquem com pelo menos um texto. Aproveitem!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ascendente

Você é como o nascer do sol. Algo que já sei como funciona, conheço seu temperamento, mas que todos os dias me surpreende e encanta. É uma pintura viva, tão bela, que se mostra e se transforma bem ali na minha frente, de segundo em segundo. Quando eu penso que já vi o céu mais bonito, ele me esquiva e, no instante seguinte, eu já não sei mais o que é céu e o que sou eu. Ele me envolve, me emociona, me passifica. Ele me aliena, me corrompe, me agita. Dura tão pouco tempo, mas todos os dias volta. Mesmo que eu me esqueça durante o dia e noite inteira do quão importante você é, no dia seguinte é a primeira coisa que vejo e logo já me lembro que, é por amar tanto esse céu tão lindo, que eu aguardo esses dias e essas noites. 

Paula Amorim

domingo, 29 de julho de 2012

Devaneios de um sábado à noite


Pernas tremendo, mãos suando, coração acelerado. Tá certo isso?
Você me fez mudar. Me deixei levar por um sentimento que eu pensei não existir mais em mim.
Deitada em minha cama, meus pensamentos voam longe, confusão sentimental.  Já perdi a capacidade de discernir o certo do errado e, na verdade, nem sem mais o que penso. Tudo está confuso e perdido dentro de mim, mais do que o normal, e eu já não sei mais a quem recorrer. Será que alguém pode me ajudar?
Busco respostas que não existem, invento mil e uma histórias sem nexo, crio um mundo só meu. Quem são essas pessoas que insistem em aparecer nos meus sonhos me perturbando? Saiam daqui, todos vocês!  Me deixem em paz.
As pernas agora estão inquietas, as mãos que antes transpiravam estão secas e machucadas e o coração, que costumava bater acelerado, agora bate triste.
Queria poder correr, fugir, voar pra longe, mas as correntes da sanidade me prendem em um buraco frio, lúgubre e solitário.  Só me sinto a salvo em meus devaneios, quando essa gente estranha resolve me deixar. Quem são vocês, afinal? Em vez de me confundir, deviam me ajudar a encontrar uma saída para as minhas dúvidas.
Não entendo como cheguei a esse ponto, falando sozinha como se alguém prestasse atenção. Ninguém se importa, estão todos preocupados demais com seus problemas medíocres e mesquinhos.
Mas não se vá, sente-se aqui, tome um gole de chá e abra o seu coração, conte-me o que te perturba. Uma boa conversa não há de fazer-lhe mal. Diga-me o que te incomodas e quem sabe assim não nos entendemos e damos um fim a toda essa palhaçada.
Esse silêncio não vai levar a lugar algum. Ou levará a loucura. 
Será que louca eu entenderia tudo? 
Preciso de um tempo pra mim, preciso pensar. Ou parar de pensar.
Sinto que tristeza e alegria dançam balé dentro de mim e todas essas piruetas estão me deixando enjoada. As duas precisam entrar num acordo.
Música deve ajudar! Quero um som esperto para embalar meu sono!  Já perdi os sentidos e agora não posso perder a razão. Me deixe sã por mais uma noite, não me deixe só. 
Cuide de mim, me faça dormir. Me acorde num lugar melhor.
A solidão me bagunça. 
Eu preciso acreditar que tudo vai ficar bem.


Maria Eduarda Amorim

sábado, 28 de julho de 2012

Conversa

É, minha princesa, me restou falar com você hoje, queria adiar essa conversa, mas acho que quanto antes, melhor.
Logo faz um ano que você se foi e acredita que eu ainda não me acostumei? Toda vez que entro no seu quarto, imagino te encontrar lá ainda, no seu mundinho, toda envergonhada. Parece que ainda posso ver você toda tímida sempre que eu entrava de surpresa e te via dançando e cantando.
Sinto falta da sua inocência, do seu companheirismo e da nossa irmandade, das nossas conversas, brigas, segredos, abraços e risadas. Quando você sorria, o mundo se iluminava, o riso de uma criança é a coisa mais doce que existe.
Essas foram as férias de julho mais difíceis que eu já tive, minhas tardes sem você não fizeram sentido algum. Foi a primeira vez que não assistimos aos filmes do Harry Potter e isso é realmente estranho, haha. 
A gente foi se cuidando, se ajudando, mas a saudade ainda é grande. Falta um pedaço da gente. Minha vida ficou toda errada desde que você partiu.
Ainda espero entender um dia porque você se foi assim tão cedo e quero poder acreditar na vida de novo, porque às vezes parece que ela só está pregando uma peça de mau gosto em todos nós.
Só que não consigo acreditar que um dia eu vou acordar e tudo vai estar bem, porque só estaria bem com você aqui.
Posso dizer que não dói tanto mais quando me lembro de você, mas hoje meu coração tá apertado, batendo miudinho, miudinho.
Cuida da gente aí de cima, minha pequena.
Te amo!

Maria Eduarda Amorim

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Botão de rosa que virou cinzas antes da hora


É com extremo pesar no coração que eu digo que desisto. Apesar de ser uma desistência, não é uma desistência qualquer. Essa é uma desistência única, atípica. Não é com gosto que desisto, mas sim com vergonha. Vergonha e tolice, por ter acreditado que, talvez esse mundo capitalista e mesquinho, tivesse um bocado de compaixão. Os inocentes de coração diziam-me não desista pelos motivos errados. Porém, já não acredito ou distingo mais os motivos errados. Só há um motivo: o motivo. E  esse motivo é o motivo e ponto final. Motivos não são passíveis de qualificação. Os motivos apenas existem para mudar o rumo da vida das pessoas tolas. Ah, consequências motivadas são pesarosas! Tolo, mas corajoso. Aquele que aceita seus motivos é em demasia corajoso. Pois, além de desistir dos sentimentos e dar o braço à razão, precisa enfrentar os palhaços do mundo e isso não soa fácil para quem é coulrofóbico. Pior do que tudo isso é ser coulrofóbico e cinetofóbico. Oh céus, isso nunca terá fim. Poderia permanecer aqui, já me esqueci. Não tenho mais nada para declarar, além de palavras soltas pela minha consciência: dor, cor, sabor, feixe, chiclete, estrela. Ainda há muito o que se falar, não agora! Quero o nada.

Paula Amorim

domingo, 1 de julho de 2012

Cedo ou tarde

Hoje, mais um mês se passou. No instante em que o meu relógio marcou meia noite em ponto, eu estava pensando em você. Então, começou a tocar no meu ipod a música que costumávamos cantar juntas toda vez que tocava na rádio. Você se lembra? Erámos eu, você, a Júlia e a Maria Eduarda (Du) cantando, gritando sem afinação alguma, mas achando que estávamos arrasando. Depois já comecei a pensar que daqui a pouco se completa mais um mês da sua partida, porém, dizer que você partiu soa tão errado, pois afinal de contas, você não se foi completamente. Ainda existe uma parte sua em mim e uma parte minha em você. Não seria possível desligar essa conexão. Neses últimos onze meses, você nos acompanhou aí do céu e tenho certeza que não perdeu nenhum detalhe. O nosso amor é tão puro, tão forte que ainda resiste, apesar de toda distância. Ainda lembro que o primeiro dia que amanheceu após a sua partida, foi o céu mais bonito que já havia visto em toda a minha vida. O sol estava grande, forte, amarelo, tomava todo o céu. Ele abraçava toda aquela imensidão azul, ele me abraçava e eu me sentia aquecida. Sei que era você e o seu amor. Eu chorei, porque no fundo do meu coração eu sabia que o céu seria mais bonito a partir daquele dia, porque agora você moraria lá também. Onde quer que você esteja, fará dele o lugar mais bonito que existe! Quando estamos todas juntas ou quando estou sozinha, sinto sua paz, sua presença, você continua aqui me dando a mão. Agora, não é mais você quem tem medo, mas sim eu! Quem pede que você não solte mais a minha mão sou eu! Ainda cantamos juntas as músicas que você gosta, dançamos as coreografias de HSM e ainda posso escutar a sua risada envergonhada. A sua voz estridente, o sorriso que vestia todo o seu rostinho de felicidade, a sua monocova (haha, é igual a do Tom!). Lembro que você dizia que eu não sabia desenhar coração, hihi. Lembro de cada detalhe, cada lembrança! Quando estávamos no show do Nx, cantando “Cedo ou tarde”, um pedacinho do céu desceu. Era você ali com a gente! Eu ainda sinto o seu abraço, às vezes, parece tão real que eu preciso abrir os olhos pra conferir se você não está realmente aqui. Agora mesmo, enquanto escrevo, posso sentir você me abraçar. Sinto tanto a sua falta… Você me completa, estar com você é o suficiente, é o que basta pra me deixar em paz! Eu te amo tanto, mas tanto que talvez eu possa explodir de tanto amor, sabia?

Com todo o meu amor,

Sua Pá, pra sempre <3

domingo, 10 de junho de 2012

Happily (n)ever after

Sempre acho que já superei, mas na verdade, lá no fundinho, isso ainda me machuca.
Entrar em casa e ver que nada está como era antes, é difícil acostumar.
Sinto falta da sua risada, das suas coisas espalhadas, das suas músicas, do seu beijo de boa noite e até mesmo do seu cheiro aqui em casa. Sei que todas essas coisas não estão fora do meu alcance, mas agora é diferente.
Vida nova, casa nova, família nova. Distância.
Lembro da noite em que tudo acabou. Será que tive culpa, poderia ter evitado?
Acho que não, isso é um assunto de vocês e eu não deveria me meter. Mas me afeta, e muito. 
Me pergunto por que vocês não tiveram um pouco mais de paciência. Vocês não sentem falta da vida bonita que levávamos? 
Um foi mais egoísta que o outro, nenhum quis ceder ou tentou mudar, cada um foi pro seu lado e tratou de cuidar da própria vida. Isso não faz sentido algum. Isso não está certo.
Quando vocês decidiram ter uma vida juntos, deviam ter se esforçado mais pra que desse certo.
Pelo menos é assim que eu acho que deve ser, uma família foi feita pra ficar unida.
Mas tudo bem, vocês seguiram suas vidas agora. E eu? 
Só consigo me lamentar.
Muitas vezes me pego tendo que escolher entre um e outro e isso acaba comigo. Minha vida virou uma bagunça quando tudo em que eu acreditava, em que tinha esperanças e queria pro meu futuro teve um fim. Em que acreditar agora?
Às vezes só consigo pensar que nada vai dar certo.
Eu posso estar sendo a egoísta, vocês não estavam felizes juntos. 
Mas me pergunto se um tempo longe não seria o suficiente pra tudo se acalmar e voltar ao normal, vocês não se deram esse tempo.
Tudo mudou muito de repente, ainda estou perdida e confusa e magoada sim.
Sei que o 'se' e o 'talvez' nunca mudaram nada, mas queria que mudassem, queria que a gente fosse capaz de ver como a vida seria se estivéssemos todos juntos de novo.
Espero um dia entender que foi melhor assim e que haja um sentido pras coisas terem acontecido desse jeito.
Sinto falta de tudo o que vivemos, mas prometo tentar me acostumar com as mudanças.
Espero que vocês aproveitem dessa vez. Boa sorte!



Maria Eduarda Amorim

quinta-feira, 24 de maio de 2012

(sem título)

  E no céu amanheceu dunas de um deserto. Montanhas de areia branca e fria, reflexo da noite. Do meio desse emanharado de grãos, os raios de sol irradiam - quentes, vermelhos, imponentes. De repente, uma forte emoção tomou conta do meu ser! Eu finalmente estava na África. E esse relance foi lindo, puro e sensacional.
  Em questão de minutos aquela África espelhada se dissipou. As dunas perderam altitude e permitiram a vista de um fundo azul. Aqueles raios vermelhos hipnóticos se transformaram em humildes traços amarelos. Não havia nada mais explicito ali! Então, eu vi o céu. 
  Ao observá-lo pela terceira vez, escutei o vazio de sua explosão. As nuvens finas e inconstantes que cortavam o céu de leste a oste, contornadas pelo traço amarelo, se assemelhavam à origem do universo.
  Não satisfeita, olhei para cima mais uma vez. Agora não existem mais os raios do sol. Uma imensidão azul opaca de nuvens rosas. A neblina borra o contorno da cidade. Então, eu fecho meus olhos e tudo reage no preto. 


  Paula Amorim